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Portugal de Santos nunca foi tão batido | © Reuters/Jorge Silva+

Mundial: Portugal de Santos nunca foi tão batido

02 | 07 | 2018   23.57H
Os próximos dias trarão mais justificações para a eliminação da Seleção Nacional, mas a segurança defensiva não foi a mesma e o número de golos sofridos disparou.
João Moniz | jmoniz@destak.pt

Passado o primeiro choque, será tempo de escalpelizar o que ditou o afastamento, para muitos demasiado prematuro, da Seleção Nacional do Mundial. Desde o primeiro jogo, apesar do empate com Espanha, que o nível das exibições foi questionado e não faltarão teorias para o justificar.

Das indefinições no esquema tático (entre o 4-4-2 e o 4-3-3) à falta de um plano de recurso eficaz, passando pelo momento de forma de vários jogadores (João Mário e Raphaël Guerreiro não tiveram um terço da influência demonstrada no Europeu; William Carvalho e Adrien pareceram lentos e sem ritmo; Bernardo Silva e Gonçalo Guedes não demonstraram o nível evidenciado nos clubes ao longa da época; André Silva acrescentou pouco), um acumular de situações ditou que a Seleção Nacional fosse ineficaz no ataque (ver texto em baixo) e na defesa.

Essa permeabilidade fica demonstrada pelos números: neste Mundial, Portugal sofreu 6 golos em 4 jogos; na Taça das Confederações, também em solo russo há precisamente um ano, permitiu metade (3) em mais partidas (5); e no Euro 2016 de boa memória conseguiu sofrer menos golos (5) em praticamente o dobro dos encontros (7).

O mais estranho é que Portugal foi eliminado com o mesmo quarteto defensivo com que foi campeão europeu, tal como o guarda-redes (Rui Patrício) e os dois médios de maior contenção (William e Adrien) não foram alterados. Mas a menor eficácia defensiva não foi um problema de agora.

Juntanto os jogos particulares, Portugal sofreu 12 golos em 9 jogos em 2018. Nunca no consulado de Santos Portugal foi tão batido: 8 em 15 em 2017; 11 em 17 em 2016; e 8 em 10 em 2015.

Ou seja, em ano de Mundial, até agora a equipa das quinas consentiu uma média de 1,33 golos por jogo, o dobro face a 2016, ano em que foi campeão europeu (0,64).

SELEÇÃO MARCA (MUITO) POUCO DE BOLA CORRIDA

Portugal acaba este Mundial com o mesmo número de golos marcados (6) do que os sofridos. Este valor é dos mais baixos entre todas as seleções apuradas para os oitavos de final que já jogaram: só a Dinamarca tem menos (3) e Argentina e Japão empatam com Portugal.

E também denota dependência de Cristiano Ronaldo: marcou 4 golos nos dois primeiros jogos e ficou em branco nos últimos dois, em que Portugal teve um único remate certeiro por partida.

Outro fator relevante é o peso das bolas paradas: 4 golos surgiram de penálti, livre ou cantos marcados de forma curta e apenas 2 de bola corrida – e um deles foi um frango de De Gea num remate de fora da área.

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